Empresas fora dos grandes centros ampliam presença nacional
Um movimento consistente vem ganhando força no cenário econômico brasileiro: negócios que, com planejamento, tecnologia e foco em nichos especializados, vêm ampliando sua atuação nacional a partir de diferentes regiões do país.
Os números confirmam a tendência. Segundo o Índice Omie de Desempenho Econômico das Pequenas e Médias Empresas (IODE-PMEs), em 2024 as PMEs brasileiras registraram crescimento de 4,5% no faturamento em comparação ao ano anterior.
O avanço continuou em 2025. Dados divulgados pela Omie mostram que a movimentação financeira média das pequenas e médias empresas apresentou crescimento anual de 12,3% em março, impulsionada principalmente pelos setores de indústria, comércio e serviços.
Mais do que um movimento pontual, os dados mostram a consolidação de empresas cada vez mais estruturadas, digitalizadas e preparadas para competir nacionalmente.
A Magazine Médica é um dos exemplos desse cenário.
Uma empresa de 22 anos com visão de futuro
Fundada há 22 anos em Concórdia (SC), a Magazine Médica nasceu com um propósito claro: simplificar o acesso de clínicas, consultórios e estabelecimentos de saúde aos produtos que precisam para funcionar bem. Com o tempo, esse propósito se traduziu em estrutura, catálogo e alcance.
Hoje, a empresa opera como um e-commerce especializado em produtos médico-hospitalares, com mais de 10 mil itens disponíveis, como descartáveis, materiais cirúrgicos, medicamentos e muito mais. São três centros de distribuição, uma equipe de mais de 115 colaboradores e uma carteira que ultrapassa 1 milhão de clientes atendidos em todo o Brasil.
O modelo adotado é o chamado one-stop-shop: um único canal de compra onde o profissional de saúde encontra tudo o que precisa, sem precisar recorrer a múltiplos fornecedores. Praticidade que, na rotina agitada de clínicas e consultórios, faz diferença real.
Logística como vantagem competitiva
Operar a partir do interior e entregar com eficiência em escala nacional não acontece por acaso. Exige planejamento, infraestrutura e integração entre tecnologia e operação.
A Magazine Médica investe em centros de distribuição estratégicos, sistemas automatizados e parcerias com transportadoras para garantir que a grande maioria das entregas no Sul e Sudeste do país sejam realizadas de maneira ágil. Para Luciano Grunitzky, sócio-fundador e diretor-presidente da empresa, a agilidade é resultado de um ecossistema construído com cuidado ao longo dos anos.
Mais do que velocidade, o que está em jogo é confiança. Clínicas e hospitais não podem aguardar por insumos essenciais. Cumprir prazos com consistência é, nesse setor, um diferencial que fideliza.
Olho no mercado, foco no cliente
O setor de saúde no Brasil vem mantendo ritmo de expansão nos últimos anos, e a Magazine Médica acompanha esse movimento de perto. Em 2024, as exportações brasileiras de dispositivos médicos cresceram 24,6%, atingindo US$ 1,17 bilhão, enquanto as importações avançaram 20,49%, chegando a US$ 9,79 bilhões, segundo dados da Apex Brasil.
Em 2025, o mercado brasileiro de dispositivos médicos registrou crescimento de 7%, superando a média da indústria nacional, de acordo com a ABIIS (Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde). O avanço foi impulsionado principalmente pela ampliação da rede de saúde, pelo crescimento da demanda por materiais e equipamentos médicos e pela abertura de novos consultórios e clínicas em todo o país.
Nesse cenário, a empresa ampliou sua importação direta de produtos nos últimos anos, com o objetivo de encurtar a cadeia de suprimentos, reduzir custos e repassar melhores preços aos clientes. A meta é clara: estar mais próxima dos fabricantes globais para oferecer condições mais competitivas ao mercado interno.
“Nosso segredo é encurtar o caminho entre o fornecedor e a clínica médica”, resume Grunitzky.
Para os próximos anos, a empresa planeja avançar ainda mais nessa direção, com lançamento de um aplicativo reformulado e investimentos crescentes em tecnologia.
Pessoas e tecnologia: dois lados da mesma estratégia
Crescer de forma sustentável exige mais do que bons produtos e logística eficiente. Exige times preparados e motivados, algo que empresas do interior muitas vezes precisam construir com ainda mais intencionalidade, diante da concorrência das capitais por talentos qualificados.
A Magazine Médica enfrenta esse desafio com investimento direto em pessoas. Em 2024, a empresa lançou um programa de participação nos lucros e criou um laboratório interno de tecnologia voltado ao desenvolvimento de soluções com inteligência artificial. A ideia é que inovação não venha só de ferramentas, mas das equipes que as utilizam.
“A tecnologia é uma ferramenta, mas é o time que transforma ideias em resultados. Nosso crescimento acompanha o desenvolvimento tecnológico e também das pessoas que constroem a empresa todos os dias”, diz Grunitzky.
Esse olhar integrado para o mercado, para a operação e para as pessoas, é o que diferencia empresas que crescem de forma consistente daquelas que crescem apenas de forma rápida.
O CEP não define o alcance
A trajetória da Magazine Médica acompanha um movimento cada vez mais presente no mercado brasileiro: empresas especializadas que ampliam sua atuação nacional com apoio da tecnologia, da logística e da digitalização dos negócios. É uma realidade em construção, impulsionada por empresas que aprenderam a desenvolver uma operação competitiva e integrada para atender clientes em todo o país.
Empresas com operações fora dos grandes centros frequentemente estruturam processos logísticos e operacionais altamente eficientes para competir em escala nacional. E quando essa mentalidade se combina com tecnologia, visão de longo prazo e foco no cliente, o resultado aparece nos números: mais de um milhão de clientes atendidos, presença em todo o território nacional e planos concretos de expansão.
“A trajetória de empresas como a Magazine Médica mostra que o crescimento de uma empresa está diretamente ligado à sua capacidade de adaptação, eficiência operacional e entendimento das necessidades do mercado”, afirma Grunitzhy.
Para o setor de saúde, esse movimento contribui para ampliar o acesso a fornecedores especializados, operações mais eficientes e soluções alinhadas às necessidades de clínicas e estabelecimentos de saúde em diferentes regiões do país.
