Psicólogo forense cria programa para fortalecer proteção infantil e capacitar redes municipais

Psicólogo forense cria programa para fortalecer proteção infantil e apoiar municípios capixabas

A violência contra crianças e adolescentes continua sendo uma das maiores preocupações sociais do país. Em muitos casos, os sinais acontecem de forma silenciosa, dentro do ambiente familiar e longe dos olhares públicos, dificultando a identificação precoce e a proteção das vítimas.

Diante dessa realidade, o psicólogo forense Rafael Monteiro idealizou o Programa Guardiões da Infância, iniciativa que busca fortalecer ações de prevenção, conscientização e capacitação técnica voltadas à proteção integral da infância no Espírito Santo.

Com mais de uma década de atuação profissional nas áreas da infância, família e violência doméstica, Rafael Monteiro afirma que o projeto nasceu a partir da percepção prática de que muitas situações de violência poderiam ser identificadas ou interrompidas precocemente se houvesse maior integração entre os profissionais da rede de proteção e mais conscientização da sociedade.

“O Guardiões da Infância surgiu da necessidade de fortalecer a prevenção. Muitas vezes os sinais existem, mas passam despercebidos. Nosso objetivo é ampliar a capacidade de identificação precoce de situações de risco e fortalecer uma cultura de proteção à infância”, destaca.

O programa atua principalmente por meio de palestras, capacitações, formações técnicas e ações de sensibilização voltadas a profissionais da educação, assistência social, saúde, conselhos tutelares e demais integrantes da rede de proteção.

A abordagem do projeto é preventiva e intersetorial, trabalhando temas como negligência emocional, abuso sexual infantil, escuta especializada, fortalecimento familiar, comportamento do agressor, sinais de violência e protocolos de proteção.

Segundo Rafael Monteiro, um dos maiores desafios atuais é justamente combater a falsa ideia de que a violência infantil ocorre apenas em ambientes externos ou praticada por desconhecidos.

“As pesquisas mostram que a maior parte das violências contra crianças acontece dentro de ambientes de convivência e muitas vezes envolvendo pessoas próximas ou de confiança da vítima. Isso exige preparo técnico, sensibilidade e uma atuação integrada da rede de proteção”, afirma.

O programa também busca fortalecer a atuação conjunta entre municípios, escolas, unidades de saúde, assistência social e demais instituições ligadas à proteção da infância.

A iniciativa conta com articulação junto à Casa dos Municípios da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, por meio da secretária Joelma Costalonga, visando ampliar o alcance das ações preventivas e apoiar os municípios capixabas no fortalecimento das políticas públicas voltadas à infância e adolescência.

Desde o lançamento do projeto, em abril deste ano, profissionais de diferentes áreas têm participado das capacitações e relatado a importância de ampliar o debate sobre temas que muitas vezes ainda são cercados por silêncio e desinformação.

“O maior aprendizado até aqui foi perceber o quanto existe uma demanda reprimida por orientação técnica e conscientização nessa área. Muitos profissionais convivem diariamente com situações complexas envolvendo crianças e adolescentes, mas nem sempre receberam formação adequada para lidar com essas demandas”, explica Rafael.

Outro ponto observado pelo programa é o crescimento das discussões relacionadas à negligência emocional e aos impactos do distanciamento afetivo no desenvolvimento infantil.

“Nem toda violência deixa marcas físicas. Muitas crianças vivem situações de abandono emocional, ausência de escuta, falta de vínculo e sofrimento silencioso. Precisamos ampliar esse debate na sociedade”, ressalta.

Além das capacitações, o Guardiões da Infância também busca estimular uma cultura de proteção baseada no fortalecimento familiar, na escuta qualificada e na prevenção precoce das situações de risco.

A proposta é que o programa continue ampliando suas ações junto aos municípios e instituições capixabas, contribuindo para uma sociedade mais preparada para proteger crianças e adolescentes.

“Proteger a infância não é responsabilidade de um único órgão ou profissional. É uma responsabilidade coletiva da sociedade. Quanto mais cedo conseguimos orientar, conscientizar e fortalecer famílias e profissionais, maiores são as chances de interromper ciclos de violência e construir uma sociedade emocionalmente mais saudável”, conclui Rafael Monteiro.

Kissila Garcia
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