Nariz entupido, espirros frequentes, coriza e tosse persistente. Para muitas pessoas, esses sinais fazem parte da rotina dos meses mais frios e acabam sendo associados automaticamente à gripe ou ao resfriado.
Neste ano, o alerta ganha ainda mais relevância diante do avanço antecipado dos casos de gripe no país. Segundo levantamento do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), com base em dados do DataSUS, o Brasil registrou 3.584 casos de influenza A e B nas primeiras 11 semanas epidemiológicas de 2026, um aumento de 95% em relação ao mesmo período do ano anterior. Às vésperas do Dia Mundial da Alergia, celebrado em 8 de julho, ganha destaque uma situação comum nesta época do ano: a dificuldade em diferenciar alergias respiratórias de infecções virais.
Embora possam se manifestar de forma semelhante, gripe, resfriado e alergia têm origens distintas. Gripe e resfriado são causados por vírus, mas a gripe costuma provocar sintomas mais intensos, como febre, dores no corpo e indisposição. Já as alergias resultam de uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias presentes no ambiente, como ácaros, mofo e pelos de animais, e geralmente não vêm acompanhadas de febre. Durante o inverno, a permanência por mais tempo em ambientes fechados e menos ventilados favorece a exposição a esses alérgenos, podendo intensificar os sintomas.
Segundo a alergista e imunologista, Dra Ana Paula Castro, muitas famílias convivem durante meses — e até anos — com quadros alérgicos sem perceber. A médica explica que crianças podem passar longos períodos com congestão nasal, espirros frequentes e dificuldades para dormir sem que a causa seja identificada, o que pode impactar o sono, o rendimento escolar e a qualidade de vida. A atenção também deve ser redobrada em idosos, já que a sobreposição de sintomas respiratórios pode dificultar o diagnóstico.
“Muitas vezes, o que parece um resfriado recorrente é, na verdade, um quadro alérgico que nunca foi investigado. Quando os sintomas aparecem repetidamente, principalmente sem febre e por períodos prolongados, é importante buscar avaliação médica”, afirma a Dra. Ana Paula.
Além de coriza, espirros e congestão nasal, alergias respiratórias também podem causar coceira nos olhos e no nariz, olhos lacrimejantes e tosse persistente — manifestações que frequentemente são confundidas com resfriados recorrentes.
“Muitas pessoas se acostumam a se sentir mal durante o inverno e passam a considerar esses sintomas parte da estação. Quando isso acontece, a investigação costuma ser adiada. Identificar corretamente a causa do problema é fundamental para que médicos e pacientes possam tomar decisões mais assertivas sobre acompanhamento e tratamento”, ressalta Patrícia Munerato, Diretora Sênior do Grupo de Diagnósticos Especializados da Thermo Fisher Scientific na América Latina.
Patrícia destaca ainda que a vacinação continua sendo uma das principais estratégias de proteção contra a gripe, especialmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com condições crônicas. Ao mesmo tempo, quando os sintomas persistem ou retornam com frequência, a avaliação médica pode ajudar a esclarecer se há um componente alérgico envolvido. Atualmente, exames laboratoriais que analisam a IgE específica auxiliam na identificação da sensibilização a diferentes alérgenos, contribuindo para uma investigação mais precisa e direcionada.
Compreender a origem de sintomas persistentes pode evitar tratamentos inadequados e melhorar a qualidade de vida de pacientes que convivem com alergias sem diagnóstico.
Informações sobre sintomas, diferenças entre alergia e resfriado e orientações para investigação podem ser encontradas no Allergy Insider: https://www.thermofisher.com/allergy/br/pt/home.html, plataforma educacional voltada à conscientização sobre alergias.
Verena Carneiro 11995498425 [email protected]
