Infectologista reforça que alcançar e manter altas coberturas vacinais com atenção especial a quem está com o esquema incompleto, é a principal barreira contra o ressurgimento da doença.
Agosto, 2026 – Em 2026, o Estado de SP já confirmou 23 casos de sarampo. a maioria deles na capital, com as maiores taxas de incidência no grupo de crianças abaixo de 2 anos.
O Infectologista e Pediatra do Sabará Hospital Infantil, Prof. Dr. Marco Aurélio Sáfadi, explica que “O que estamos vendo em São Paulo é resultado de uma combinação de fatores. O sarampo voltou a circular com intensidade em vários países das Américas e, em uma cidade com grande fluxo de viajantes como São Paulo, existe o risco de o vírus ser introduzido por pessoas infectadas durante viagens. Quando ele encontra na população um percentual relevante de pessoas que não estão vacinadas ou que não completaram o esquema de vacinação, consegue se espalhar com muita facilidade. É essa combinação entre a introdução do vírus e a existência de uma proporção elevada de grupos populacionais ainda suscetíveis que cria as condições para um surto.”
Na cidade de São Paulo, a partir da última segunda-feira (3) teve início a Campanha de Multivacinação – De Olho na Carteirinha 2026, com reforço da vacinação contra o sarampo em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas AMAs/UBSs Integradas da capital.
“Uma em cada cinco crianças que contraem sarampo pode precisar de hospitalização. Em bebês nos primeiros 2 anos de vida, o risco pode ser ainda maior, especialmente se forem não vacinados ou em determinados grupos de maior vulnerabilidade como por exemplo as crianças desnutridas. É uma doença altamente contagiosa, que pode levar a complicações graves como pneumonia, diarreia, encefalite e em determinadas situações até mesmo à morte. As estimativas da era pré vacinal mostram que a cada 1000 casos que ocorrem numa população, observamos uma a duas mortes, a maioria em crianças pequenas”, afirma Dr. Marco Aurélio.
A campanha prevê o reforço da vacinação contra o sarampo e a oferta dos demais imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação.
As coberturas vacinais, no entanto, ainda estão abaixo da meta para algumas doses. No caso da tríplice viral, a primeira dose alcançou 77,5% e a segunda, apenas 65,5%. A meta do Ministério da Saúde é de 95% para ambas.
Por esse motivo, além das vacinas contra poliomielite e sarampo, estarão disponíveis durante a campanha todos os imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação, incluindo BCG, hepatite B, pentavalente, rotavírus, pneumocócica conjugada, meningocócicas C e ACWY, influenza, Covid-19, febre amarela, varicela, DTP, hepatite A e HPV.
“Manter a carteira de vacinação atualizada é indispensável. Em São Paulo, diante do risco de transmissão, está sendo recomendada a chamada ‘dose zero’ da vacina tríplice viral para crianças de 6 a 11 meses. Essa é uma dose adicional, usada para antecipar a proteção dos bebês, e não substitui as doses previstas no calendário de rotina..
Após completar 1 ano, a criança deve seguir normalmente o Calendário Nacional de Vacinação, recebendo a primeira dose de rotina aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Manter o esquema completo é essencial para garantir uma proteção robusta contra a doença”, explica o Dr. Marco Aurélio.
Três anos depois, em 2019, o país perdeu o título ao registrar aproximadamente 18 mil casos da doença. A certificação foi recuperada em 2024, mas a ocorrência atual de casos e cadeias de transmissão em São Paulo reacende o alerta das autoridades e reforça a necessidade de manter altas coberturas vacinais e uma resposta rápida para interromper a transmissão.
Diante do atual cenário, a campanha adota uma estratégia de vacinação indiscriminada contra o sarampo para pessoas de 6 meses a 59 anos, nos municípios contemplados pela recomendação. Isso significa que, durante esse período, a orientação é ampliar ao máximo a proteção da população, reduzindo rapidamente o número de pessoas suscetíveis e, consequentemente, as oportunidades de transmissão do vírus. A medida é especialmente importante em um momento de circulação do sarampo e busca interromper as cadeias de transmissão antes que o surto ganhe maior dimensão. Apesar da estratégia ampliada, a vacina tríplice viral não deve ser aplicada em gestantes, crianças menores de 6 meses e em pessoas com imunossupressão.”, reforça o Dr. Marco Aurélio Sáfadi.
Sobre o Sabará Hospital Infantil
O Sabará Hospital Infantil tem mais de 60 anos de história e é referência em saúde infantojuvenil no país, sendo um dos primeiros hospitais exclusivamente pediátricos do Brasil a conquistar a acreditação pela Joint Commission International (JCI) desde 2013. Conta com uma equipe multiprofissional altamente qualificada, preparada para atender desde casos simples até os mais raros e complexos na pediatria.
Instituição sem fins lucrativos, o hospital Sabará direciona seus resultados para a Fundação José Luiz Setúbal, que por meio da filantropia os transforma em impacto social para a infância com suas instituições: Instituto Pensi – ensino e pesquisas científicas nas áreas de saúde infantojuvenil, ciências sociais e práticas filantrópicas; Instituto Futuro é Infância Saudável – Infinis – advocacy em prol dos direitos da saúde infantil e fortalecimento da sociedade civil.
Juntos, hospital e fundação compartilham o propósito de pensar, cuidar e defender a saúde das crianças, promovendo um futuro mais justo, saudável e cheio de possibilidades.
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