Lesão de Neymar tem solução; especialista explica

A recente lesão sofrida por Neymar reacendeu o debate sobre os métodos utilizados na recuperação de atletas de alto rendimento. Segundo informações divulgadas pela imprensa esportiva, o camisa 10 da Seleção Brasileira apresentou uma lesão grau 2 na transição miotendínea do gastrocnêmio medial, região da panturrilha responsável pela transmissão de força durante movimentos como corrida, aceleração, saltos e mudanças bruscas de direção.  

Esse tipo de lesão costuma exigir atenção especial durante a reabilitação por envolver não apenas a cicatrização muscular, mas também a recuperação das estruturas tendíneas associadas e da capacidade funcional do atleta para suportar cargas elevadas sem aumentar o risco de novas lesões.  Entre as tecnologias utilizadas como apoio aos protocolos modernos de recuperação esportiva está a Pulsed Signal Therapy (PST), método desenvolvido a partir de pesquisas iniciadas na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e patenteado na Alemanha em 1996. 

A tecnologia utiliza sinais eletromagnéticos pulsados de baixa frequência com o objetivo de reproduzir estímulos bioelétricos fisiológicos relacionados aos processos naturais de reparação dos tecidos.  De acordo com o ortopedista Dr. Lafayette Lage, especialista em cirurgia do quadril, joelho e medicina esportiva, com experiência clínica em PST desde 2003, a tecnologia pode atuar como ferramenta complementar dentro de programas estruturados. “Minha experiência clínica ao longo de mais de duas décadas utilizando PST mostrou resultados particularmente interessantes em lesões tendinosas, lesões ligamentares e lesões da transição miotendínea. Trata-se de uma ferramenta complementar que busca estimular mecanismos biológicos naturais de reparação tecidual e que pode integrar protocolos modernos de recuperação esportiva”, afirma.  

A literatura especializada descreve aplicações da PST em tendinites, lesões ligamentares, recuperação pós-cirúrgica de tendões e ligamentos, além de outras condições musculoesqueléticas. Um dos registros citados pelo especialista está no livro Pain Management – A Practical Guide for Clinicians, referência da Academia Americana de Dor, que relata experiências clínicas positivas em tendinites e lesões ligamentares, incluindo recuperação funcional acelerada em determinados pacientes submetidos à terapia.  A tecnologia também ganhou projeção internacional por sua utilização em centros de medicina esportiva da Alemanha e por ter sido associada ao tratamento de atletas de elite. Entre os casos mais conhecidos está o da ex-tenista alemã Steffi Graf, uma das maiores campeãs da história do esporte mundial, que enfrentou problemas tendíneos e degenerativos no joelho ao longo da carreira. 

A associação ajudou a ampliar a visibilidade internacional da tecnologia, especialmente na Europa.  Segundo o Dr. Lafayette Lage, o caso de Neymar chama atenção justamente por envolver a região da transição entre músculo e tendão, considerada uma das áreas mais complexas da medicina esportiva. “Embora nenhum recurso isolado substitua um programa adequado de reabilitação, controle de carga e recuperação funcional, tecnologias complementares que buscam otimizar a cicatrização tecidual despertam interesse crescente por sua potencial contribuição ao retorno seguro ao esporte de alto rendimento”, conclui. 

Guilherme Teixeira
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