Aumento de casos de câncer entre jovens reforça alerta para prevenção precoce

 Caso recente de câncer de mama em jovem de 24 anos reacende debate, e especialista aponta sinais, fatores de risco e estratégias de prevenção

O recente diagnóstico de câncer de mama da influenciadora Bruna Furlan de Nóbrega, de 24 anos, trouxe visibilidade a um fenômeno que vem preocupando médicos e pesquisadores em diferentes países: o crescimento da incidência de câncer entre adultos com menos de 50 anos. Tradicionalmente associada ao envelhecimento, a doença tem aparecido cada vez mais cedo, indicando uma mudança no perfil dos pacientes e levantando questionamentos sobre os fatores que estão antecipando o surgimento dos tumores.

Uma análise conduzida pelo National Cancer Institute, dos Estados Unidos, publicada em 2025, aponta uma tendência consistente de aumento da incidência de câncer em pessoas abaixo dos 50 anos, envolvendo ao menos 14 tipos da doença. Entre eles estão câncer de mama, colorretal, renal, uterino, pancreático e alguns linfomas. Para os pesquisadores, o cenário sugere uma combinação de fatores ligados ao estilo de vida contemporâneo, às exposições ambientais e a alterações metabólicas que vêm impactando gerações mais jovens.

Segundo o oncologista e diretor médico da Croma Oncologia, Dr. Leandro Veloso Maia Lemos, essa mudança exige um novo olhar da medicina e da sociedade. “Hoje observamos pacientes jovens com tumores que, até pouco tempo atrás, eram considerados raros nessa faixa etária. Isso reforça a necessidade de atenção aos sinais do corpo e de uma abordagem preventiva mais ampla, mesmo antes da idade tradicionalmente associada ao risco”, afirma o médico.
Além dos hábitos de vida, como alimentação inadequada, sedentarismo, consumo de álcool e tabagismo, a medicina investiga o impacto crescente de fatores externos, como poluentes e substâncias químicas capazes de interferir no equilíbrio hormonal. Em pacientes mais jovens, o peso da genética e do histórico familiar também é mais relevante, o que torna essencial a identificação de síndromes hereditárias para orientar o acompanhamento médico e, quando necessário, estender o cuidado a outros membros da família.

A prevenção, no entanto, ainda enfrenta obstáculos entre adultos mais jovens. Como não existem protocolos amplos de rastreamento indicados de forma sistemática para essa faixa etária, muitos diagnósticos acabam sendo feitos apenas após o aparecimento de sintomas. Por isso, os especialistas reforçam a importância dos check-ups anuais , que ajudam a identificar alterações silenciosas e permitem intervenções mais precoces “Nódulos, mudanças persistentes no corpo, perda de peso sem explicação, fadiga intensa e dores recorrentes nunca devem ser ignorados. O autoconhecimento aliado ao acompanhamento médico regular é essencial para ampliar as chances de um diagnóstico em estágios iniciais”, orienta o médico.

Manter hábitos saudáveis também é uma frente central da prevenção. Evidências científicas associam o aumento do risco de câncer a fatores como consumo frequente de alimentos ultraprocessados, excesso de açúcar e gorduras saturadas, sedentarismo, sobrepeso e obesidade, condições que favorecem inflamações crônicas e alterações hormonais no organismo. Estudos sugerem que a privação de sono e o estresse crônico podem estar associados a alterações no sistema imunológico e a processos inflamatórios, o que pode influenciar a capacidade do organismo de lidar com células anormais. No entanto, os mecanismos dessa relação ainda não são totalmente compreendidos. Além disso, a exposição contínua ao álcool, tabaco, poluentes ambientais e a substâncias químicas presentes em plásticos e agrotóxicos é apontada como um fator adicional no aumento do risco de câncer. A adoção de uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física,  controle da obesidade e a redução dessas exposições não apenas diminuem o risco de diferentes tipos de câncer, como promovem saúde e qualidade de vida ao longo do tempo.

A maior circulação de informações sobre o tema contribui para uma mudança de comportamento e para uma relação mais atenta com a própria saúde. Em um contexto de avanços contínuos na medicina, identificar a doença precocemente amplia significativamente as possibilidades de tratamento e reforça a importância de olhar para o cuidado com o corpo como um investimento ao longo da vida, inclusive entre os mais jovens.
 

Giovana Martins
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