Gestão que salva tempo e vidas: o papel estratégico das operações em saúde

Em um sistema de saúde cada vez mais pressionado por urgências, complexidade assistencial e demandas por resposta imediata, a gestão de operações deixou de ser “bastidor” para se tornar parte decisiva do cuidado. É ela que garante que pessoas, processos, tecnologia e protocolos funcionem de forma integrada, especialmente quando o atendimento acontece fora do ambiente hospitalar tradicional, em operações remotas, ambientes de risco e serviços que não podem parar.

Nesse cenário, a trajetória de Renata de Freitas e Silva exemplifica o perfil de liderança que vem ganhando espaço na saúde contemporânea: uma profissional de Enfermagem com atuação estratégica em operações, que transita com consistência entre a assistência, a academia e a gestão executiva, acumulando mais de duas décadas de experiência em equipes multidisciplinares, operações críticas e serviços de alta complexidade.

Gestão de operações de saúde, na prática, é a disciplina que organiza a “linha de produção” do cuidado sem reduzir o paciente a um número. Significa coordenar escalas, fluxos, indicadores, incidentes, tempo de resposta, qualidade e segurança, além de assegurar conformidade regulatória. Em operações complexas, como as que envolvem saúde e segurança corporativa e assistência remota, o desafio aumenta: a resposta precisa ser rápida, coordenada e sustentada por processos robustos, 24 horas por dia, 7 dias por semana.

É exatamente nesse ponto que o trabalho de Renata se destaca, por reunir visão clínica, capacidade de liderança e execução operacional com foco em resultados mensuráveis.

Desde 1º de abril de 2013, Renata atua na International SOS, empresa global que oferece serviços de saúde e segurança para organizações e seus colaboradores, com suporte contínuo 24/7 e estrutura que vai de consultoria e apoio médico até evacuação e gestão de crises. No cargo de Gerente de Operações Brasil, ela responde nacionalmente pela operação do Response Center, um núcleo que funciona como centro de coordenação para demandas de saúde e segurança, concentrando triagem, acionamento, encaminhamentos e suporte a clientes com padrões rigorosos de qualidade.

Entre suas responsabilidades estão a liderança e o desenvolvimento de equipes multidisciplinares, o planejamento e acompanhamento de projetos operacionais e estratégicos, e a gestão do relacionamento com clientes com foco em SLA, qualidade e satisfação. Além disso, supervisiona a área de serviços médicos, coordena aproximadamente 200 profissionais em operações offshore e gerencia as operações de evacuação aeromédica em âmbito nacional, garantindo conformidade com protocolos de segurança, normas regulatórias e padrões de qualidade, com monitoramento contínuo de indicadores e implantação de melhorias.

Em outras palavras: é uma atuação em que gestão não é apenas administração, mas componente direto da segurança do paciente, da efetividade clínica e do controle de risco.

Paralelamente ao ambiente corporativo, Renata mantém uma trajetória consolidada no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/UERJ), onde atua desde 1º de setembro de 2008 como Supervisora de Enfermagem. Referência em ensino, pesquisa e assistência no Estado do Rio de Janeiro, o HUPE/UERJ opera com 560 leitos e 16 salas cirúrgicas, realizando procedimentos de alta complexidade em mais de 60 especialidades e atendendo exclusivamente pacientes encaminhados por outras unidades públicas.

Nesse contexto, Renata coordena desde escalas de trabalho até rotinas e protocolos assistenciais. Também atua na organização do fluxo assistencial, no monitoramento da qualidade e no fortalecimento de ações de educação continuada, contribuindo para o desenvolvimento técnico e profissional da equipe.

A combinação entre um hospital universitário de alta complexidade e uma multinacional com operações críticas cria um diferencial raro: a capacidade de aplicar, em ambientes distintos, a mesma lógica de segurança, padronização e melhoria contínua, sem perder o olhar clínico.

Se a operação é o “motor” do cuidado, a telemedicina tem sido um dos seus combustíveis estratégicos, especialmente em áreas remotas. Renata aprofundou esse eixo com Mestrado em Telemedicina e Telessaúde pela UERJ (2021), somando uma formação voltada à gestão e execução de serviços conectados, rastreáveis e orientados por protocolos.

Duas contribuições reforçam esse compromisso com a ampliação de acesso ao conhecimento especializado – A criação de um curso on-line gratuito pela UERJ voltado à capacitação de profissionais de saúde offshore, ampliando o alcance da formação e fortalecendo competências específicas para um ambiente operacional de alto risco e alta exigência e a participação como uma das autoras do livro “Fronteiras da Saúde em áreas remotas: a Telemedicina no offshore”, financiado por agência de fomento (FAPERJ), conectando prática, pesquisa e disseminação científica em um tema de relevância crescente.

A história profissional de Renata de Freitas e Silva ilustra uma tendência clara: a gestão de operações de saúde deixou de ser apenas “organização de serviço” para se tornar uma competência estratégica, capaz de impactar qualidade assistencial, segurança, experiência do usuário e sustentabilidade do sistema. E, quando essa gestão é conduzida por alguém com lastro clínico, vivência acadêmica e execução executiva, o resultado costuma ser mais do que eficiência: é capacidade de resposta em ambientes onde errar custa caro.

Com formação que inclui MBA em Gestão Empresarial (FGV, 2016), pós-graduação em Gestão de Pessoas (PUC Minas, 2021), pós-graduação em Terapia Intensiva (UERJ, 2003) e residência em Saúde do Adolescente (UERJ, 2000), Renata construiu uma carreira que traduz, com consistência, o que a saúde do presente e do futuro tende a valorizar: liderança multidisciplinar, decisões orientadas por indicadores, padronização com humanidade e inovação aplicada ao cotidiano, especialmente onde o cuidado precisa chegar mesmo quando o hospital está longe.